BRUMAS DE AVALON


Eu hoje acordei de um sonho
trágico e bisonho
que parecia não ter fim
Sonhei pensando estar acordado
tal foi o estado
que se apossou de mim

Um corpo mal espreguiçado
inerte, meio desacordado

Amanheci entre soluços tantos
quão fracos foram os acalantos
como tiros de festim
E veio logo a alvorada
trazendo toda passarada
a gorjear em meu jardim

E eu já desencantado
sozinho e enclausurado

Os sonhos são como rotina
chegam e me azucrinam
pela minha noite, enfim
eu sonho com a minha amada
sublime, como se fosse fada
mas os sonhos não são bem assim

Nas loucas brumas de Avalon
deixo-me verve, levitar-me ao som

Nas festas de leves ciganas
eu vivo todas as Morganas
Lancelot e Merlim
Acordo todo alvoroçado
como um trapo amarrotado
mesmo em cama de cetim

E espero que a noite chegue breve
E que os sonhos, logo mais, me leve

GilbertoMaha®©

Um comentário:

Gustavo disse...

Um poema sublime e saboroso como o melhor dos vinhos..
Parabens!