VARREDOR DE CINZAS


Varredor das cinzas

Sou um simples
e humilde
gari do amor
Varro em cada guia
esperança e dor
Varro todos
os maus tratos
desacatos, boatos
e até uma flor
que foi jogada
seja lá
por quem for
Talvez
por um desfeito amor
ao som de um tambor
Varro alguns sorrisos
entre lágrimas
e até suor
Sigo cantando
o meu conflito
em meu lá menor
Varro outros conflitos
já em mi maior
Junto todos os pedaços
de arlequim e palhaços
Fantasias de duques
em estilhaços
Varro esta vida
em completa solidão
nesta loucura incontida
entre boemia e violão
Vou varrendo
como varro meu coração
Sim, é assim
que a vida
segue em frente
nada é diferente
amanhã é quinta
e de repente
o sol já surge
vindo do oriente
Sim, é assim
como o carinho meu
que foi jogado
na sarjeta
ao breu
ou dentro
de um carrinho
de algum outro gari
como eu
que hoje
faz parte de ti
seguindo e varrendo
todo o sonho meu
Varro por ironia
Varro, também
a minha dor
e o seu amor
seja lá como for
Outros carnavais virão
talvez me transforme
de gari em barão
mas até lá
solidão
solidão
solidão

GilbertoMaha®©

Um comentário:

Luh disse...

Este varredor é lindo! Sempre gostei...Me lembra o samba...o Rio...

Parabéns!

Cheiros,

Luh